terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

200 países, 200 anos, 4 minutos

Recebi o link por email e decidi compartilhar!

O vídeo é muito interessante tanto no que diz respeito ao desenvolvimento dos dados, visual, aparato tecnológico que deve ter sido necessário quanto em relação às questões relativas a desenvolvimento econômico, diferenças sociais entre países e internas ao país. Uma lição de história em poucos minutos que pode se utilizada de diversas maneiras, principalmente no ambiente escolar!

Discussões sobre as influências das guerras, epidemias, economia etc. Discussão sobre dados de saúde, influência da educação e do desenvolvimento tecnológico, assim como da política. E como não poderia deixar de ser, o que fazer para melhorar... Políticas públicas, cultura, trabalhos na sociedade civil... O que é possível?

Enfim, ficou para a lista de pequenos documentários pela possibilidade de exploração!

Espero que gostem tanto quanto eu!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Calculadora Ecológica

Isso mesmo... A calculadora ecológica mede o impacto ambiental, por meio de poucas questões, que cada um de nós tem no mundo.

http://www.oeco.com.br/calculadora

Vergonhosamente, mesmo tentando de várias maneiras consumir menos, reciclar material, optar pela diminuição de uso de energia e por aí vai, se todos vivessem como eu vivo, consumiríamos o que é possível consumir em um ano, em um ano e 5 meses... Ou seja, precisaríamos de quase mais um planeta e meio para sobrevivermos... Que triste!

O teste dá a possibilidade de estabelecer uma meta e refazê-lo modificando o que for possível, entretanto descobri que tem coisas que consigo modificar, por exemplo, eliminar carne vermelha, peixes, derivados de vaca, quantidade de livros que compro por mês, exigir a quantidade de energia elétrica renovável que chega na minha casa, mas outras não, como o tamanho da minha casa, a quantidade de pessoas que moram aqui - coisas que fazem diferença no resultado final.

Além disto, no final há links interessantes para outras páginas com informações sobre biocapacidade de vários países no mundo entre outras informações! Sempre válidas!

Enfim, acho que no mínimo vale a curiosidade em preencher o questionário. Não tem que por nome, nem nada, é só testar...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A vida na escola e a escola da vida

Claudius Ceccon é um ilustrador de mão cheia! Agregado a isto, descobri um livro dele com Miguel e Rosiska Darcy - A vida na escola e a escola da vida. Tudo de bom!

Com imagens divertidas e questionadoras, o livro de leitura simples e agradável, mostra claramente o universo escolar e como a sociedade interage com a escola.

A leitura despretensiosa passeia por todos os responsáveis por uma escola de qualidade e se atem a um sistema reprodutor de demanda por alunos que se mantenham na cada classe social à qual pertencem. Brilhante! O ensino não é do professor, a escola não é do aluno, a escola é de todos! A responsabilidade é dividida entre todos que da escola participam: o professor que reproduz o sistema por uma má formação ou falta de qualificação e reflexão; dos pais que não participam das decisões na escola ou no país ou não exigem espaço de participação; da escola por assumir o padrão que lhe e imposto sem se preocupar em mudar ou adequar à real função da escola que é oportunizar ensino igual para todos; do Estado que não investe e viabiliza distorções promovendo insegurança enquanto promove o estado neoliberal.

Uau... É a manutenção da perspectiva de organização do trabalho pedagógico num perfil taylorista, com tendencias ao toyotismo, com abertura ao mercado privado e responsabilização do professor ou mecanismos de controle que põe a baixo a imagem da escola pública e consequentemente todos que por ela passam!

Injusto!

Enfim, vale muito a pena ler o livro. E como li em pdf, disponibilizei no 4Shared - é só clicar aqui.

Boa leitura!

Saudades dos fractais...

Uma lupa para olhar a escola: um viés positivista da observação de aula

Noutro dia, em aula, conversamos sobre a reportagem que saiu na Folha de São Paulo, 17 janeiro 2011, sobre observação de aulas. O nome da reportagem era Ensino público: um outro olhar. E por alguns momentos me lembrei de uma série de coisas...

Quando trabalhava numa empresa privada atendendo escolas que tinham adotado o projeto da empresa, sempre ficava esquadrinhando boas ações nas escolas particulares que atendia. Via de regra, não havia preocupação da direção ou melhor dos donos das escolas com questões de ordem pedagógicas. Interessava apenas o cliente satisfeito e a entrada de recursos para render lucro e quem sabe ampliar a escola. Literalmente uma empresa como outra qualquer.

Acontece que encontrar as boas ações, ou melhor, ações que de alguma maneira tinham retorno pedagógico positivo no processo ensino aprendizagem era um achado! É, isso mesmo... Não era fácil encontrar algo que destoasse do padrão de aula conteudista, provas longas e densas ou eventos associados ao calendário de feriados.

Numa dessas escolas, havia uma coordenadora, a meu ver (e pelo menos enquanto eu estava por perto), exemplar. Estava sempre disposta a conversar com os professores, trocava ideias e... tinha uma proposta peculiar de acompanhamento próximo: ela se dispunha a cada período do dia a assistir alguma aula dos professores e conversar com os mesmos sobre a atuação em sala. Algo bem tranquilo e que vi alguns professores cobrarem dela: Já tem duas semanas que você não vai lá. Queria te mostrar uma coisa...

Lembro que na hora só pensava que a ideia deveria ser muito boa se não houvesse qualquer resistência por parte dos professores ou pressão por parte da coordenadora. O peculiar dessa movimentação era a possibilidade de um olhar externo pelo qual muitas vezes, enquanto professores solitariamente em sala de aula, procuramos mas não temos coragem de assumir ou de adotar, tendo em vista que é difícil reconhecer erros, aceitá-los e concertá-los.

Ao ler a reportagem da Folha de São Paulo, todas aquelas ponderações voltaram.

Não posso negar que adoraria ter algum colega assistindo minhas aulas para que me dar dicas, sugestões, que fizesse críticas construtivas ou não (é meio difícil encontrar intervenções positivas para todo tipo de atividade ou ação - é um exercício ferrenho). Mas quem sabe quando eu voltar a dar aula eu encontre alguém disposto, e que tenha tempo (muito importante esse fator!), para trocar esse tipo de experiência comigo. Acredito serem válidas por estimularem o trabalho em grupo, a crítica construtiva, a experimentação, o diálogo na equipe docente e consequentemente na escola.

A questão é que reportagem me incomodou muito pelo fato de serem examinadores externos nas salas de aula! Quem se sentiria bem numa situação dessas? E não estou falando apenas de professores. Que profissional se sujeitaria a uma situação dessas?

Tudo bem, é inegável que a visão de um examinador externo é interessante pelo fato de ser mais objetiva. Mas talvez exatamente isso é que não seja legal: essa objetividade externa desconsidera que posso estar num dia ruim (como qualquer outro ser humano), que a escola tem necessidades específicas (diálogo, abertura para a comunidade etc), que há condições de trabalho a serem ponderadas (condições físicas, psicológicas, de apoio pedagógico), que o trabalho em grupo do corpo docente deve ser estimulado (e não demandado a uma pessoa externa).

Uma atividade desse tipo desestimula a integração entre os professores, pode gerar competitividade, individualização e priorizar métodos de ensino mais técnicos, baseados em técnicas de abordagem pedagógica como falar brincando, criar musiquinha para memorizar situações etc. Não que isto seja ruim, não é o caso discutir isto agora, mas não é só isso que importa!

E outra, quem são esses examinadores? Foram treinados? Treinados para fazer o que? Com que qualificação? Curso rápido de dois meses? Que tipo de orientação teórica, epistemológica receberam? É em prol dos interesses de quem? Que padrões de trabalho estão sendo usados? Que argumentos teóricos poderão ser levados à discussão? Que tipo de justificativas serão ponderadas? Acho que são dúvidas o suficiente para não concordar com tal postura.

Definitivamente, o que salta aos olhos é a Administração Científica do Trabalho de Taylor misturada às concepções toyotistas de trabalho, entrando com cada vez mais força no espaço escolar. Uma pena! Ao invés de nos humanizarmos para um mundo que precisa de trabalho coletivo para superar os problemas atuais (sociais, ambientais, econômicos etc.), estamos objetivando o que restou de humanidade. Ao invés de desenvolvermos a estética, a criatividade, a ética e a moral em nossos alunos, estamos ensinando-os a ver o mundo como regras e padrões.

Nossa! Imagine se isto vier a se tornar política pública educativa?

Enfim, para quem quiser dar uma olhada, encontrei a reportagem na íntegra no blog Conteúdo livre e a imagem do texto da Folha de São Paulo na página do blog Instituto Crescer para a Cidadania.