quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Troca troca

Há um tempo, minha irmã Ale, decidiu se livrar de algumas roupas que não estava usando, colocou tudo em uma sacola entregou para uma amiga e disse que aquela era a sacola do troca-troca, que deveria passear pelas casas das pessoas e dar uma renovada de ares em cada casa. A condição para o passeio era que sempre que alguém quisesse ou achasse algo legal na sacola, poderia pegar, contanto que colocasse outra coisa dentro.

Poderia retirar uma blusa, saia ou calça e colocar brinco, colar, casaco ou vestido. Algo que não estivesse sendo usado e em boas condições... O importante era fazer a troca com boa vontade, partindo do princípio da reutilização ao invés de comprar algo novo. Lavoisier na área!

Mas vale lembrar que doação é sempre legal... Só que às vezes é interessante fazer trocas, assim, no mínimo consumimos menos, temos o guarda roupa refrescado, e de quebra reciclamos.

A sacola rodou várias vezes, numa dessas veio aqui pra casa. Nem lembro o que tirei, acho que nada, mas fiz questão de colocar algo dentro. Só sei que no último retorno para casa da Alê, do qual tenho notícia, sequer era a mesma sacola...rs...

E qual não foi minha surpresa hoje ao ler a postagem no blog de minha prima linda http://lascomadres.wordpress.com/2011/01/05/bazar-na-escola/ falando exatamente sobre troca! Mas desta vez, onde mais dói no bolso nesta época do ano e sempre ficamos sem saber o que fazer com as sobras do ano anterior... Material de escola e uniforme!

Troca-troca ou bazar, seja lá como for, é uma maneira divertida, sustentável e econômica de lidar com o inicio do ano escolar.

Meu irmão um ano mais novo sempre aproveitava uniforme (quando ficou maior do eu estávamos no ensino médio) e alguns dos livros aguentavam as duas séries de diferença. Só que hoje em dia há uma quantidade muito maior de filhos únicos. Assim, se vale a sugestão de sacola troca-troca para roupas e bijuterias, porque não estender isto ao material escolar?

Então, mobilize-se! Monte um bazar ou uma feira de trocas na sua escola!

Ajude o meio ambiente! E ainda que não seja este o seu principal motivo, faça-o pelo seu bolso! Já que é ali que mais sentimos...

A dica é sempre ter em mente o que nosso grande Lavoisier um dia disse...

Na natureza nada se, cria nada se perde, tudo se transforma!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A lebre e a tartaruga

Quem não ouviu ou leu a história da lebre e da tartaruga apostando corrida?

É uma história muito bacana para aqueles que são ansiosos como eu ou para quem acha que tem que fazer tudo rapidamente e de qualquer jeito é a melhor solução. Como dizem: nada como persistir, ainda que as coisas tenham que ser feitas vagarosamente. Mas também vale: quem segue devagar e com constância sempre chega na frente. Talvez sirva: não se pode desvalorizar os outros apenas pelo seu jeito, características ou forma de ser. Ou ainda: Não cante vitória antes do tempo... Sei lá... São várias morais para a mesma história mas sempre com o intuito de valorizar características bacanas nos seres humanos.


Mas qual não foi minha surpresa ao ouvir noutro dia uma colega dizendo que entrou numa turminha de educação infantil e descobriu na parede um lindo desenho com várias lebres e tartarugas com os nomes dos alunos escritos nelas... Os mais lentos, claro, são as tartarugas da turma, estão atrás, e os mais aligeirados são as lebres, estão na frente. O que isto significa? Por favor!

Existe uma grande diferença entre usar a história como lição enquanto persistência, não arrogância e valorização das diferenças e usar a mesma história classificando as crianças... É, não deixa de ser uma forma de classificá-las em fracas e fortes, ainda que, espero pelo bem mental das crianças, que a tia tenha dito que é porque eles também vão chegar lá. Mesmo assim dói...

Ficaria indignada e com certeza discutiria com a professores, coordenação e sei lá mais quem da escola se visse algo do tipo na sala de aula de uma sobrinha, afilhada, irmão ou coisa do tipo (não tenho filhos - só a minha dissertação de mestrado!).

As potencialidades dos alunos foram literalmente distorcidas, pois a complexidade de cada uma das crianças foi desconsiderada; hierarquizadas, pois de alguma maneira a professora, ou seja lá quem for, decidiu assumir um parâmetro para tal hierarquização (que parâmetro é esse, quem definiu, baseado em quê?); e escondidas, pois foram cercadas de uma metáfora, não necessariamente compreendida pelos pequenos.

É... Não me incomoda somente a professora. A responsabilidade não é só dela. Onde estava a coordenação pedagógica, outros colegas (duvido que não tenha comentado com alguém), a direção e os pais das crianças. O trabalho docente é essencialmente social e responsabilizar apenas a professora também não é solução - a professora não trabalha sozinha na escola! - mas não significa que ela não deva estar preparada para criticar, ou ainda, expor justificativas para suas ações. O que me lembra uma pergunta que tem me perseguido: qual será a proposta pedagógica dessa professora? Ou para cada um de nós: Qual é a sua proposta pedagógica enquanto professor?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Desenho...

Tem um tempo que estou lutando contra mim mesma... Estou escrevendo minha qualificação para o mestrado. E é claro, não é nem um pouco legal, quero dizer, é legal, mas muito doído, para ser sincera. Concatenar ideias minhas com ideias de diversos autores de modo a elaborar um diálogo com justificativas expressamente claras tem sido bastante trabalhoso. Definitivamente acho que quando me perguntarem se tenho filho poderei dizer que pari minha dissertação. O que salva são os momentos em que preciso parar...

E foi num desses respiros que fiz o desenho que coloquei aqui...
Fiquei pensando no quanto ficou bacana e no quanto não tenho me dado a oportunidade de relaxar fazendo coisas que realmente gosto - fora assistir algum seriado, pois nem consigo pensar em ler um dos livros que estou animada para ler há uns meses: Millenium 3 do Stieg LarssonCriatividade quântica do Amit Goswami, Orgulho e preconceito da linda Jane Austen e A vida é uma festa da Sarah Mason.Quem sabe não os coloco aqui por perto e vou lendo nos intervalos... Mas na rede!

domingo, 21 de novembro de 2010

Dificuldades de aprendizagem

Nesses dias estava pensando sobre justificativas dadas para as dificuldades de aprendizado dos alunos. São frequentemente baseadas em deficiências econômicas e culturais dos alunos, num consenso partilhado em algumas conversas aleatórias, mesmo no espaço escola. 

No entanto, olhando cuidadosamente, as dificuldades econômicas vivenciadas por algumas famílias podem ser muitas vezes justificadas exatamente pela falta de acesso a escola universalizada dos últimos anos e que não cobriu as algumas gerações das famílias menos favorecidas. 

Além disto, a questão cultural é questionável quando considerarmos cultura não apenas como modo de vida ou homem letrado ou erudito nem muito menos como o legado deixado de pais e mães para filho(a)s mas como um conjunto de ações, de intenções na vivência social, entre sujeitos e suas subjetividades. A cultura faz parte do nosso dia a dia, do nosso local, da forma como nos encontramos no meio no qual vivemos. Por isto, talvez seja injusto dizer que há crianças e famílias aculturadas, pelo contrário! Apesar de escutarmos incessantemente que a cultura deve ser respeitada, que os artesãos da ilha de Marajó e os industriais da grande São Paulo tem cada qual sua cultura, não podemos desconsiderar sua presença na escola; presença esta constituidora do aluno enquanto sujeito aluno e futuro adulto. 

Isto significa que não faz sentido tentar aprofundar uma proposta que resolva as dificuldades encontradas nas escolas sem considerar os aspectos culturais que continuam fazendo parte da vida do aluno. Precisamos lembrar que vida escolar é diferente da vida cotidiana: nossas crianças não passam o dia todo na escola, e não vivem todos os seus anos na escola.

Assim, talvez seja interessante não fornecer caminhos concretos, verdadeiros e únicos para uma escola inclusiva, mas ponderar sobre a valorização da cultura como parte da vida. Não que a escola tenha apenas como função a preparação para a vida social, para o trabalho, mas considerando que a escola deveria ter como foco o desenvolvimento do indivíduo consciente.

Além disto, quando falo de cultura, não me refiro à cultura branca, europeia, loira, heterossexual, masculina, que está presente nos livros didáticos, ditadores do currículo escolar, um absurdo tendo em vista que tendem a moldar a produtividade docente e por conseguinte impor uma divisão do trabalho material (prática pedagógica) e trabalho intelectual (práxis pedagógica). A cultura a que me refiro trata-se da cultura das músicas locais expressas pelos concursos de música brasileira, potiguares ou soteropolitanos, das comidas regionais como o berém caindo em desconhecimento por não terem espaço frente à ditadura das monoculturas em oposição às roupas coloridas, dos sotaques, dos cabelos encaracolados, enrolados, mas não lisos e loiramente coloridos como numa tentativa de negar sua origem.

Nessas horas me lembro do pronunciamento da nigeriana Chimamanda Adichie: Os perigos de uma história única, já postado aqui no blog. É uma pena nem todos terem oportunidade de mudar de país ou cidade contando com a possibilidade de, ao longo caminhos experimentais, enxergarmos nossas raízes, nossos valores, nossos verdadeiros “eu”. 

Enfim, não podemos nos dar ao luxo de justificar as dificuldades de nossos alunos pela deficiência cultural e/ou econômica de seus pais, mães e familiares sem ao menos os conhecer, sem ao menos saber que tipo de bagagem eles podem trazer em suas pequenas grandes malas. É duro, mas temos que conhecer e reconhecer cada um de nossos alunos para que possamos fazer um bom trabalho... E aí vem outra dificuldade... Como fazer isto com as atuais condições das escolas brasileiras?.... Mas este fica para outro dia....

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

IV Seminário Brasileiro e Internacional de Estudos Culturais e Educação

O Programa de Pós-graduação em Educação da ULBRA, juntamente com os Programas de Pós-graduação em Educação e Educação em Ciências da UFRGS organizam o

4º Seminário Brasileiro de Estudos Culturais e Educação - 4º SBECE
1º Seminário Internacional de Estudos Culturais e Educação - 1º SIECE

Data: 23 a 25 de maio de 2011
Local: campus da ULBRA no município de Canoas, Rio Grande do Sul/Brasil.
Inscrições: 25 de outubro.
Envio de resumos: até 15 de dezembro.

Serão aceitos trabalhos em português e em espanhol.

Para mais informações, o site do evento: www.ulbra.br/4sbece.